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A montanha e o rato

|Hélio Bernardo Lopes|
Com frequência que não é pequena, utiliza-se a expressão a montanha pariu um rato. Uma expressão que se pode hoje utilizar, com enormíssima precisão, à audição parlamentar do ministro José Vieira da Silva, que há pouco terminou as suas respostas na Assembleia da República, ao redor do já histórico e (quase) vazio caso da RARÍSSIMAS.

José Vieira da Silva mostrou possuir um grande domínio sobre toda a matéria que tutela, sobre a que se prende com o caso RARÍSSIMAS, e também, e muito acima de tudo, com a cabalíssima razão que lhe assiste e com a honestidade pessoal que nunca quem quer que seja pôs em causa. Refiro-me, obviamente, à generalidade das pessoas interessadas, que, felizmente, têm bom senso e não são suscetíveis de enfiar os históricos barretes do nosso Vasco Santana.

Contra o que é usual, acompanhei a globalidade desta intervenção da Assembleia da República através da nossa RTP 3. Quem assim tiver procedido, quase com toda a certeza, terá tirado a minha conclusão: o ministro José Vieira da Silva mostrou, a menos de um mínimo de dúvida, que nada de mal praticou, assim saindo por cima da armadilha contra si montada, ao mesmo tempo que todo este debate nos fez ver que a montanha pariu um rato. Até porque se trata de um domínio – a Segurança Social Pública – deveras apetitoso para os grandes interesses e desde há imenso. Os portugueses não são estúpidos, já viram o que deu a Direita no poder, e já são sensíveis às notícias que lhes chegam.

Interessante foi poder olhar o comportamento do PPD/PSD e do CDS/PP, completamente falhos de argumentos, mesmo de poder argumentativo. E se do primeiro nada há a dizer de válido – o que se viu dá uma boa imagem das trapalhadas que estão de novo a ver-se na corrida à sua liderança –, já do segundo sobressaiu aquela aflição do deputado António Carlos Monteiro, confrontado com a realidade que se lhe pôde ouvir: todo o seu raciocínio se suportava, implicitamente, como se algo de mal seja já garantido por parte da nossa concidadã, Paula Brito e Costa. É verdade que não fez tal consideração, mas estava implícito tal pressuposto nos seus fracos argumentos, ou toda a sua argumentação valeria ainda muito menos.

Convém, nestas ações das comissões parlamentares, que os deputados, para lá de se munirem bem sobre quanto está em jogo, tenham o bom senso de se não deixar levar por uma comunicação social fortemente sensacionalista, mesmo populista, até fortemente alinhada, na sua informação, com os grandes interesses. Se assim tivessem procedido o PSD e o CDS/PP, bom, não teriam perdido do modo KO como pôde ver-se. No fundo, ajudaram a que a montanha tenha parido um novo rato. Saíram reforçados, naturalmente, o ministro José Vieira da Silva, tal como o Governo de António Costa, suportado na inovadora Geringonça.

Por fim, sai muito por baixo, neste caso, Ana Leal, porque o seu trabalho ficou a anos-luz de se mostrar realmente útil. De resto, o ministro José Vieira da Silva esteve a uma distância similar ao referido pela jornalista, a meio da tarde de hoje, apontando-o como fragilizado, mesmo cansado com tudo isto. O que se viu foi o contrário: defendeu-se com unhas e dentes e com a verdade evidente em face do que alguns tentaram fazer-lhe.

A montanha e o rato Reviewed by Notícias do Nordeste on terça-feira, dezembro 19, 2017 Rating: 5

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