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O exército europeu

|Hélio Bernardo Lopes|
Desde que Donald Trump ascendeu à presidência dos Estados Unidos – já vinha de antes – que os estes assumiram uma exigência aos restantes Estados da OTAN, no sentido de pagarem o que, nos termos do tratado, lhes compete e nunca realizaram.

Claro está que Donald Trump nunca disse que iria renunciar à sua presença na OTAN – a sua equipa sabia muitíssimo bem que Vladimir Putin nunca iria invadir qualquer parcela da OTAN...–, ou que não seguiria a doutrina estipulada no Artigo 5º do tratado. Desde logo, é essencial não dar crédito ao que Trump possa dizer, mormente numa campanha eleitoral. E depois impõe-se, até para benefício europeu, que a União Europeia, já que existe, mostre ao mundo que também possui capacidade militar para integrar a sua própria defesa.

Objetivamente, a OTAN é, desde há muito, uma fonte de perturbação da paz no mundo, mormente na Europa. Mais que tudo, na Europa de Leste e no Báltico. Vimo-lo, entre outras situações, no que se passou com a antiga Jugoslávia. O que justifica, com muitíssimo mais que um mínimo de lógica, que a União Europeia seja capaz de se dotar de uma força própria de defesa. Até numa perspetiva completar interna, em face do terrorismo potencial, muito fortalecido pelas interesseiramente erradas políticas do Ocidente.

Esta força, naturalmente, não deverá servir para substituir a OTAN, até porque esta, objetivamente, são os Estados Unidos. A força de defesa em jogo deverá resultar da reorganização das estruturas militares dos Estados da União Europeia, quer sejam membros da OTAN, ou não. Até porque é essencial não recusar que os perigos da Europa não se situam no plano militar, onde nunca foi autónoma – excetua-se o caso Britânico –, mas sim no da segurança interna, por via dos conflitos alimentados por norte-americanos e alguns europeus em partes diversas do mundo.

Esta reorganização nunca deverá pôr em causa, ao menos ao nosso nível, a existência das nossas Forças Armadas, mas permitirá potenciar alguns dos seus setores de um modo preferencial. Setores que terão de ir variando em períodos de média dimensão, como a década. Uma coisa é manter as nossas Forças Armadas, tal como é a sua estrutura histórica, outra a de potenciar mais um ou outro dos seus ramos em certas fases da vida do País. E é à luz desta ideia que faz todo o sentido a vontade de operar a reestruturação de uma estrutura de defesa e segurança da própria União Europeia, mas que nada tenha que ver com um exército único europeu.

Por fim e como já se tornou hábito, as mais recentes considerações do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa. Desta vez, claro está, sobre este tema. E, reforçando a sua tendência partidária crescente, voltando a defender a posição do PPD/PSD, ou seja, da Direita. Infelizmente – olhe-se o que se está a passar com Jerusalém –, se algo de mal vier a surgir no espaço europeu, tal terá como origem a política de procura permanente da supremacia no mundo por parte dos Estados Unidos. É extremamente lamentável o modo quase silencioso como a União Europeia e os seus Estados reagem agora à recente tomada de posição de Donald Trump sobre Israel e Jerusalém. E quem diz União Europeia, diz Nações Unidas ou Vaticano, todos oscilando entre discordâncias de circunstância ou mesmo o silêncio estrondoso. É o Direito Internacional Público em movimento, sempre com os seus brandidos Direitos Humanos. Mau – mesmo muito mau – foi o acórdão dos dois desembargadores do Porto. Um horror...

O exército europeu Reviewed by Notícias do Nordeste on quinta-feira, dezembro 07, 2017 Rating: 5

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