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Um debate pleno de coragem e verdade

|Hélio Bernardo Lopes|
É hoje muito frequente assistir a conversas políticas nos nossos canais televisivos onde se mostra, de um modo muitíssimo forte, a falta de objetividade na abordagem dos temas aí tratados. 

Uma realidade que se tornou numa marca muito típica da nossa comunicação social televisiva. Uma realidade que oscila entre a caixa sensacionalista e a distorção política, seja a nacional ou a internacional. Exemplos muito recentes são os que surgiram na SIC e na TVI, ao redor de dois programas, agora suspensos, ao menos temporariamente.

À luz desta omnipresente realidade informativa de hoje, é-nos imposto, quase diariamente, a versão norte-americana do que vai pelo mundo, só com extrema raridade sendo exposto que os Estados Unidos – desde sempre, mas mais agora, com Donald Trump –, ao menos desde 1945, sempre tiveram como objetivo dominar o mundo, tornando-se a sua fonte central do poder. Assim usaram, à luz dos seus interesses do momento, a própria Organização das Nações Unidas, que, sem ser por acaso, tem a sua sede em território norte-americano. E é bom não esquecer o que se desenrolou ao redor dos Acordos de Bretton-Woods, mormente entre o britânico John Maynard Keynes e o norte-americano, Harry Dexter White, com o triunfo (imposto) das ideias do segundo. O resultado já hoje conhecemos e em todo o mundo.

Perante esta realidade, conhecida e vivida há muito, foi com grande interesse, até admiração, que ontem pude assistir à entrevista do major-general Carlos Martins Branco, e do académico Luís Tomé, ao redor da situação de regresso à vivência do clima político-militar da Guerra Fria, quando comentavam a entrevista que o Secretário-Geral da OTAN concedeu à RTP 3. Um acontecimento a que pode juntar-se a curta entrevista do também académico José Pedro Teixeira Fernandes à RTP 2, na pessoa de João Fernando Ramos.

Foi extremamente agradável acompanhar a primeira entrevista – a dois –, porque ali se puderam escutar as explicações para se ter chegado à tal nova (e perigosa) situação de Guerra Fria, objetivamente criada pelos Estados Unidos, mas também extremamente suportada numa comunicação social que oscila entre o acéfalo, passando pela ignorância histórica, até ao alinhamento incondicional com a política norte-americana de exercício mundial do poder. Infelizmente, faltou ali referir o modo pigmeu como os políticos da União Europeia e da generalidade dos seus Estados se comportam hoje, em face dos acontecimentos que estão a fazer crescer o perigo de uma nova guerra mundial, desta vez com armas nucleares.

É para mim muito agradável e interessante poder reconhecer que muitos militares portugueses altamente preparados, com invejáveis curricula, acabam por ser quem ainda consegue falar com verdade sobre os perigos que espreitam hoje o mundo, assim mostrando uma coragem, moral e psicológica, que mais de quatro décadas de vida da III República quase obliteraram junto dos portugueses, nomeadamente ao nível dos designados intelectuais e da generalidade dos nossos políticos.

Recordando os tempos em que o atual Presidente da República era comentador televisivo – só muito raramente acompanhava estas intervenções –, também eu hoje me determino a dar aqui uma classificação, embora em mérito relativo e de um modo simplesmente percecionado: a qualidade das intervenções dos nossos militares de mais alta craveira superam, de um modo visível e muito geral, as dos políticos e dos magistrados que vão surgindo nos nossos canais televisivos. Foi uma noite deveras agradável, entendendo eu ser meu dever dizer aos leitores que ganharão em visionar a referida entrevista, passada na RTP 3 e no programa 360 desta passada segunda-feira. Quem o fizer, ficará a ganhar e muitíssimo melhor informado.

Um debate pleno de coragem e verdade Reviewed by Notícias do Nordeste on quinta-feira, fevereiro 01, 2018 Rating: 5

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